domingo, 29 de maio de 2011

Nosso cérebro

... As pessoas não sabem, mas o nosso cérebro tem cavernas e grutas marinhas por onde passam correntes de mar com sabor a lágrimas. Mar com marés altas e baixas ao ritmo do bater do coração. Tem nascente e foz, num fluxo ininterrupto.

sábado, 28 de maio de 2011

Do amor ...

O amor é orvalho de feliz pranto

DISCURSO SEM VERBOS

AINDA QUE pareça incrível, eis um artigo em que não se encontra um único verbo. Transcrevemos essa obra prima de redação, traduzida de um artigo publicado em “LE PETIT JOURNAL”, da França, no ano de 1897:

“VERBOS! Cousa intolerável da convenção antiga e ridícula para o atulhamento da frase, geralmente viva, leve e clara, sem eles! Invenção antipática e com a complicação de acordos e não-acordos de particípios; armadilha, aliás, pérfida para os exames de gramática. Por que não a supressão do verbo antes da reforma da ortografia? Além disso, que lição maravilhosa para nós a ausência deles num grande número de adágios da sabedoria humana! Exemplo: “Pequenas causas, grandes efeitos” etc. Que facilidade de trabalho, para as memórias rebeldes, nessa concisão de forma! Nenhuma palavra em excesso; nada de fútil, de embaraçoso; a essência concentrada da frase, com quatro ou cinco palavras: o “Liebig” o pensamento! Sim, o verbo eis o inimigo! Guerra contra ele! Morte aos indicativos, aos subjuntivos, aos imperativos, aos infinitivos, enfim, a tudo em “ivo” e, principalmente, ao terrível mais que perfeito do subjuntivo, triunfo dos belos falastrões do Sul, desde Avinhão até Caracole. Em lugar das odes na Academia, na Comédia Francesa, na inauguração da ponte Alexandre III, por que não um simples cumprimento, sem verbo, ao tsar e tsaritisa? Novidade apreciável, certamente, para tais festas, notáveis pelas surpresas, pela decoração das ruas, pelo engrinaldamento das fachadas, pela floração artificial das árvores sem folhas, na praça central dos Campos Elíseos. Uma saudação sem verbo, ao tsar, que maravilhosa resposta invasão desta estranha literatura do Norte, mas arrogante de seus sucessos ibsenianos entre nós e de sua influência fantástica nos costumes do nosso teatro! Que desafio ao mundo intelectual dos outros países! Que assombro no universo inteiro: a supressão do verbo na literatura da França! Coragem e confiança no progresso! Esperança, sobretudo, da mudança completa das regras gramaticais. E qual melhor surpresa, para a inauguração da Exposição mundial de 1900, que a ausência total do verbo – mesmo do mais útil na aparência – nos votos de boa vinda do Presidente da República da época – (sem dúvida o mesmo de hoje) – aos seus imperiais visitantes: Nicolau II, o xá da Pérsia e Menelik, os três bons amigos da França!”
(ESPÍNDOLA, Itamar de Santiago. No Mundo das Excentricidades)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O inevitável da crença

a inevitabilidade da crença deve conduzir ao rasgar da fé.
nada é perfeito, nada fica incólume após o toque humano.
e sente-se a raiz do choro,
cujo advento faz a proclamação do trilho terreno,
que alimenta a condição mortal.

Das mulheres bonzais


As mulheres não são divas, são bonzais, prendas da sociedade moderna.
As belas flores, doces, mágicas decantadas pelos poetas, mulheres de cera, rubras pétalas de almas de cera e cristal, já não cabem na sociedade contemporânea. Não criam mais Isoldas nem Julietas, não se divisa pelo espelho, sorrisos tímidos de monalizas, nem há nos olhos da feminilidade moderna a fatalidade ambígua e sedutora de Cleópatra.
As mulheres musas de hoje, não têm fogo nos olhos, nem o deitar lânguido de madame Bovary, muito menos os encantos sedutores de Lucrecia Borgia.
Elas se tornaram, máquinas da sociedade! Bonzais criados em jarros de laboratório. A elas não se permitem mais amores pueris, nem sonhos em fins de tarde, já não esperam seus homens com água de cheiro no pescoço, estão muito ocupadas em ser melhor que a vizinha do apartamento ao lado, ou parecida com a pseudo diva recém modelo da mídia.
Os homens, criadores de mulheres bonzais querem pedem a fêmea pronta para o cio, e perdem o olhar de soslaio dos gênios anteriores que as divinizaram, e depois, depois de tudo, já não as quer, porque são produtos fáceis nas prateleiras do mercado.
Hoje, ficou feio fazer a velha receita da vovó daquele bolo de chocolate,, ou saber a lua certa para plantar roseiras, truques daquela velha tia, ou mesmo corar a face enrubescida pelo casto, o doce, o puro, como a face rosada de nossas mães naquelas fotos de outrora. Está tudo tão démodé, que não cabe na mulher moderna, ter o direito de ser mulher por vezes.
As bonzais precisam de saltos, calcinhas de renda e cinta liga todo o tempo para os seus machos predadores, mesmo quando simplesmente querem andar de pijama pela casa e aninhar gostoso no sofá feito gato no cesto.
Sinto falta dos tempos que não vivi, onde mulheres eram verdadeiras divas de beleza e feminilidade, saudade de mulheres de carne e osso que gostava de ser caça, presa esperando a dança dos machos.
Saudade das mulheres que cresciam raízes no dentro e cresciam para árvore!

Joíra F.