segunda-feira, 26 de março de 2012

A FILOSOFIA DA LIBERTAÇAO E O GRITO DOS EXCLUÍDOS

A FILOSOFIA DA LIBERTAÇAO E O GRITO DOS EXCLUÍDOS

Joíra Freitas Bruno *

A partir do exame empírico da realidade social da América Latina e da leitura de textos sobre a filosofia da libertação, que apresentam os gritos de milhões como o clamor dos excluídos, muitas vezes abafados na tradição filosófica européia, colocam-nos diante de um problema ético. É essa realidade que este resumo visa descrever, através da apresentação da Ética da libertação, tendo como fio condutor o pensamento do filósofo argentino Enrique Dussel. O referido autor, refletindo sobre os problemas sociais latino-americanos, elaborou uma filosofia fundamentada numa ética onde não basta apenas uma montagem do saber, mas se faz primordial uma nova epistemologia que visa transformar a realidade operante. A Filosofia da Libertação é aqui analisada através da ótica da analética, um novo método de pensamento crítico criado por Dussel, onde o filosofo propõe uma saída do pensamento europeu, descrito como dominador, para uma ética da libertação, que parte do outro como “um” além do sistema da totalidade. A observação do pensamento dusseliano foi feita em cima do seu argumento que a filosofia preponderante, a saber, Kant, Hegel, Heidegger, bem como seus críticos não podem servir de base a um pensamento que se pretende da libertação latino-americana. O argumento de Enrique Dussel parte da ética da libertação como uma filosofia em particular. Tal ponto de partida é coerente com a história da América Latina dada a forte exploração capitalista desde a época da colonização, visível ainda hoje nas mazelas das exclusões sociais, nas diversas formas de opressão, exclusão e marginalização. A ética da libertação é uma possibilidade de estabelecer o dialogo, a partir do rosto do outro e afirmar a alteridade aonde o oprimido possa tomar lugar na mesa de diálogo, construído dialeticamente. Para realizar essa mudança epistemológica, o indivíduo precisa ultrapassar as limitações da sua totalidade ontológica (essencialista) e assumir o excluído como ponto de partida para uma ação libertadora. Na perspectiva dusseliana isso só seria possível quando se garantir a reprodução da vida humana, para isto se faz mister o desmascaramento dos mecanismos de dominação. Para a ética da libertação, o simples fato do sujeito viver em comunidade, reconhecer a dignidade humana e se solidarizar com os demais, faz surgir o dever filosófico de libertar as vitimas que gritam.



* Discente do Curso de Filosofia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). E-mail: joira.f@hotmail.com

quarta-feira, 14 de março de 2012

O ESCRITOR

O escritor vive. Ninguém é escritor das oito ao meio-dia e das duas às seis. Quem é poeta é poeta sempre, e se vê continuamente assaltado pela poesia. Assim como o pintor é assediado pelas cores e pelas formas, assim como o músico se sente procurado pelo estranho mundo dos sons, o escritor deve pensar que tudo é argila, com que fará da miserável circunstância de nossa vida alguma coisa que possa aspirar à eternidade.

Jorge Luis Borges

segunda-feira, 12 de março de 2012

VAGINAS AMBULANTES


Você sabe com quantas vaginas ambulantes, tem se esbarrado por aí? Não, não é uma pergunta retórica, muito menos cotidiana ou ginecologica, é um questionamento profundo, sócio-filosofico de cunho público-administrativo-interno, ocorrido num setor da Prefeitura de minha cidade.
Essa questao tao vaginalmente primordial, para o andamento do serviço público de competencia da minha cidade, não pára de me inquietar, desde o dia que ouvi de uma certa pessoa, que ouviu de outra certa pessoa, que uma determinada “chefe” no serviço público Municipal, usando da sua autoridade, autoritarismo e assedio moral, para com uma subalterna do seu setor, a a criticou pelo seu jeito feminino de ser e se vestir. Segundo a dita cuja, a sua subordinada nada conseguiria nesse mundo masculino, se a mesma não se masculinizasse, porque ate entao não passava de uma “Vagina Ambulante”.
Que me perdoe essa cidadã “masculinizada” de calças e botas (nada contra as lésbicas, muito menos contra botas e calças que adoro, mas contra essas mulheres que têm medo de ser mulher e perder seus lugares no mundo do sucesso), mas afirmo que o mundo é feminino. A terra é feminina, com mae Gaia abrindo braços e gerando filhos de suas entranhas ambulantes, sem falar em Eva. Desde entao o mundo masculino, cedeu ao encanto das fêmeas. Os que discordam, no minimo precisa concordar com Jabor que o mundo é gay.
A conquista do espaço pela mulher, se faz a nível de intelecto, de alma,de perspicácia, dessa coisa intuitiva, desse faro de fêmea sensivel e ao mesmo tempo sedutora; forte e ao mesmo tempo frágil. Essa feminilidade que solta feronômios e ao mesmo tempo cheiro de agua de flor no banho; que consola, agrada, ama e ao mesmo tempo mata na TPM.
Esse espaço masculino a ser conquistado pela mulhjer, não precisa assemelhar-se a caes urinando em postes para marcar territorios, com essencia de homem pra governar ou roupas estereotipadas. Basta apenas ser mulher que acredita que pode vencer, mesmo sendo “apenas” mulher (ou “tudo isso”).
Quantas deslumbrantes vaginas ambulantes desfilaram pela historia à fora, mostrando que o mundo é feminino, falo da força de Indira Gandhi, a charmosissima Coco Chanel, a sedutora Cleopatra, a bela Maria Antonieta da França, a sensivel Jaqueline Onasis, Song Cing Ling, a mae dos chineses, e a inconetstavel doce Lady Day, mulheres que viram o mundo se dobrar aos seus pés, mulheres que exalavam feminilidade. Belas vaginas que marcaram a historia.
Que me perdoe quem pensa o contrario, mas o mundo é feminino, e eu estou com um dos grandes representantes do universo masculino Che Guevara: “Hay que endurecerse, pero si jamais perder la ternura
Joíra F