segunda-feira, 23 de abril de 2012

A MULHER BONITA


"A mulher interessante não é propriamente bonita, mas tem personalidade, tem postura, tem um enigma no fundo dos olhos e uma malícia que inquieta a todos quando sorri... As pessoas se questionam. O que é que essa mulher tem?! Ela tem algo. Pronome indefinido: algo. Ficar bonitinha, muitas conseguem, mas ter algo é para poucas."

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A RODA DO SER

Tudo vai. Tudo torna: eternamente gira a roda do ser.
Tudo morre, tudo refloresce: eternamente corre o ano do ser. Tudo se quebra, tudo se reajusta. Eternamente se constrói a mesma casa do ser. Tudo se separa: tudo se reencontra: o anel do ser permanece eternamente fiel a si mesmo. A cada instante começa o ser: à volta de cada 'aqui' gravita a esfera 'ali'. O outro está em toda parte. A senda da eternidade é curva."


(Nietzsche, Zaratustra).

OS AMORES ETERNOS NUNCA MORREM

É verdade que os amores eternos nunca morrem?
- É. Ou não seriam eternos.
- Mesmo que a pessoa esteja longe de você?
- Mesmo que a pessoa esteja longe de você ela estará mais perto do que você pensa.
- E como sabemos que aquele amor é eterno?
- Não sabemos. Até um dia.
- O dia em que ele vai embora?
- É. O dia em que ele vai embora mas nunca parte.

(Fábio Fabretti )

sábado, 14 de abril de 2012

O HOMEM, RIO POR NATUREZA

*Joíra Freitas

“ Paixão, só dela nasce o fôlego de um rumo”

(Lupe Cotrim)

Vida, substantivo feminino que indica ciclo, estado de atividade funcional da matéria orgânica, um estágio entre começo e fim, é existência que se expressa.

Essa expressividade humana do existir é como um rio que corre ao seu objetivo, segundo Quo Vadis, “o rio só atinge seus objetivos, porque aprendeu a contornar os obstáculos”, sendo o rio aqui prefigurado pela vida, o destino seria então os frutos do sonho dos homens, e os obstáculos as dificuldades pelas quais o homem certamente passará, ao ousar sonhar com o futuro. Como exemplo, temos uma lagoa que não tem obstáculos por não sonhar com o mar. Mas a vida humana não é uma lagoa, é rio, por isso precisa-se apaixonar por seus objetivos, para vivê-la de tal modo que os obstáculos não venham a ser maiores que os sonhos.

Nesse ciclo entre começo e fim o homem é rio por natureza, mesmo que não trace um objetivo pelo qual lutar, correr-se-á inevitavelmente para o mar. Sendo assim, uma vez que todos se movem em direção a um rumo, qual a força móvel eficaz que impulsiona um ente rumo ao ser? Todos, afinal se movem da mesma maneira?

Na vida humana, como citou Henrique de Lima: “o importante não é matar a sede, porque ela voltará sempre, o importante é possuir uma fonte”, ou seja, para se viver a vida e chegar ao objetivo desejado fazem-se necessário não apenas viver dia após dia ou sobreviver, é preciso apaixonar-se por uma causa que nos leve ao rumo, esta é a fonte, o motor móvel, o que nos dá fôlego para nadar... nadar... nadar... nos fazendo desviar dos percalços, em direção ao mar.

Paixão, palavra tão cantada e decantada pelos enamorados pela qual lutam frente às impossibilidades, é a mesma palavra que movem os gênios em suas descobertas, mesmo que por mais absurdas e desacreditadas, se concretizam com triunfo. Paixão em grego (pathos) conota em Aristóteles “o ser tomado por uma disposição, que o impulsiona a práxis (ação). O pathos é inerente ao ser humano, faz parte da emoção. Para Kierkgaard o pathos é a fusão entre o universal e o particular, entre a liberdade e o determinismo, é a discrepância entre o racional e o irracional.

Esse fôlego pelo qual nos impulsionam a práxis (ação) se dá por meio da paixão que nos levará ao rumo, entretanto, devemos lembrar sempre ser o pathos a influência de forças externas sobre o pensamento, e este como disse Carl Sagan “é a nossa bênção e a nossa maldição, faz de nós o que somos”.

No mais, fiquemos com Clarice Lispector: “não se preocupe em entender, viver ultrapassa todo entendimento”.



Verbos

Oh Deus! Me perdoa quando digo: "minha vida foi ... tão bonita!"
é que nossos verbos têm tempos, não são como o vosso, ETERNO

Adélia Prado

GENTE ESPAÇOSA

Eu gosto de gente grande, gente larga, gente espaçosa - por dentro -, gente com varanda, cobertura, pátio e vista, gente ampla, gente latifúndia - produtiva ou não -, gente crescida e crescente, gente expandida, expansiva, gente onde cabe gente dentro, gente em que a gente pode se hospedar, pode morar, deitar e rolar.
Gosto de gente onde há vagas

terça-feira, 3 de abril de 2012

AS FACES DA DESIGUALDADE


*Joíra Freitas


Francisco Fernandes Ladeira, Licenciado em Geografia pela UNIPAC Especialista em: Brasil, Estado e Sociedade – UFJF, em seu texto “Considerações sobre as faces da desigualdade entre os seres humanos”, faz uma breve abordagem sobre os principais aspectos que permeiam as desigualdades sociais.

O especialista em ciências humanas, de uma maneira sistemática e epistemológica aborda os diversos fatores que contribuem para a disparidade tão notória na sociedade marcadamente antagônica. Procura analisar a questão buscando a origem, a causa primeira onde se desenvolveu essa desigualdade. O autor em seu texto, busca no pensamento da Grécia Antiga, nas concepções clássicas e contemporâneas respostas para esta questão humanamente desafiadora, procurando não ser simplista em suas conclusões.

Segundo Ladeira, o pensamento do filosofo Aristóteles, representa o pensar grego antigo, quando pensa este ser a desigualdade, obra da natureza e essencial para a conservação da espécie, ou seja, inatos o instinto do mando e do não mando. Para o autor, no entanto as desigualdades são frutos de um “processo histórico,” e não pode ser visto por este prisma. Embora, o pensamento do professor, seja a princípio cabível para o que vemos no mundo atual, ainda não é o suficiente para explicar os motivos que preponderam tão veementemente as alteridades sociais.

Quanto à concepção clássica nos pensamentos de Karl Marx e Weber citados, os mesmos crêem ser a desigualdade frutos da má distribuição de rendas e dos bens materiais, bem como as variáveis propriedades de poder e prestigio respectivamente discutidas pelos filósofos, embora concordadas por Ladeira, deixa uma lacuna a se explicar. Ele tenta ainda no pensamento clássico, buscar em Rousseau e sua defesa da propriedade privada, como aviltante e a chave para a desigualdade, mas ainda vê como insuficiente tais elucubrações, embora não propunha em seu texto um estudo mais amplo sobre os aspectos citados pelos filósofos,

Visando apreender o real motivo das desigualdades no pensamento contemporâneo, o estudioso em Estado e Sociedade traz as observações do economista Amartya, que trouxe mais aspectos pragmáticos que levantamento da questão, quando fala sobre a funcionalidade de renda como aspecto contributivo para uma melhor auto-estima. Cita ainda o autor, em boa hora, o sociólogo José Souza que rejeita “o liberalismo economicista, tanto quanto o pensamento marxista”, para o sociólogo a desigualdade é uma questão de visão de mundo prática, um pensamento interessante que poderia melhor elucidar o questionamento, mas pouco aprofundado por Ladeira.

Nas suas considerações finais o professor, chega a conclusão de ser este um assunto complexo, que se faz mister ser levado em conta vários fatores extra econômicos e imateriais, e assim propõe buscar formas mais pragmáticas para a questão, o que vem a ser uma incoerência propor uma solução de algo que não se sabe a origem para extirpar-se a causa. E assim o especialista “em Brasil” encerra o texto e faz uma alusão de desigualdade usando exemplo dos Estados Unidos, e vejo diante de minha face de leitora, mais uma cena de desigualdade, ate nos maus exemplos.

Embora o texto seja um pouco superficial, pode servir de ponto de partida para aprofundarmos mais na análise desse problema, que muito bem posto por Ladeira: “não está a cargo apenas dos intelectuais”, afinal, diz respeito a todos nós.


Resenha do texto:

LADEIRA, Roberto. Considerações sobre as faces da desigualdade entre os seres humanos. Disponível em < http://zinnecult.zip.net/>