terça-feira, 3 de abril de 2012

AS FACES DA DESIGUALDADE


*Joíra Freitas


Francisco Fernandes Ladeira, Licenciado em Geografia pela UNIPAC Especialista em: Brasil, Estado e Sociedade – UFJF, em seu texto “Considerações sobre as faces da desigualdade entre os seres humanos”, faz uma breve abordagem sobre os principais aspectos que permeiam as desigualdades sociais.

O especialista em ciências humanas, de uma maneira sistemática e epistemológica aborda os diversos fatores que contribuem para a disparidade tão notória na sociedade marcadamente antagônica. Procura analisar a questão buscando a origem, a causa primeira onde se desenvolveu essa desigualdade. O autor em seu texto, busca no pensamento da Grécia Antiga, nas concepções clássicas e contemporâneas respostas para esta questão humanamente desafiadora, procurando não ser simplista em suas conclusões.

Segundo Ladeira, o pensamento do filosofo Aristóteles, representa o pensar grego antigo, quando pensa este ser a desigualdade, obra da natureza e essencial para a conservação da espécie, ou seja, inatos o instinto do mando e do não mando. Para o autor, no entanto as desigualdades são frutos de um “processo histórico,” e não pode ser visto por este prisma. Embora, o pensamento do professor, seja a princípio cabível para o que vemos no mundo atual, ainda não é o suficiente para explicar os motivos que preponderam tão veementemente as alteridades sociais.

Quanto à concepção clássica nos pensamentos de Karl Marx e Weber citados, os mesmos crêem ser a desigualdade frutos da má distribuição de rendas e dos bens materiais, bem como as variáveis propriedades de poder e prestigio respectivamente discutidas pelos filósofos, embora concordadas por Ladeira, deixa uma lacuna a se explicar. Ele tenta ainda no pensamento clássico, buscar em Rousseau e sua defesa da propriedade privada, como aviltante e a chave para a desigualdade, mas ainda vê como insuficiente tais elucubrações, embora não propunha em seu texto um estudo mais amplo sobre os aspectos citados pelos filósofos,

Visando apreender o real motivo das desigualdades no pensamento contemporâneo, o estudioso em Estado e Sociedade traz as observações do economista Amartya, que trouxe mais aspectos pragmáticos que levantamento da questão, quando fala sobre a funcionalidade de renda como aspecto contributivo para uma melhor auto-estima. Cita ainda o autor, em boa hora, o sociólogo José Souza que rejeita “o liberalismo economicista, tanto quanto o pensamento marxista”, para o sociólogo a desigualdade é uma questão de visão de mundo prática, um pensamento interessante que poderia melhor elucidar o questionamento, mas pouco aprofundado por Ladeira.

Nas suas considerações finais o professor, chega a conclusão de ser este um assunto complexo, que se faz mister ser levado em conta vários fatores extra econômicos e imateriais, e assim propõe buscar formas mais pragmáticas para a questão, o que vem a ser uma incoerência propor uma solução de algo que não se sabe a origem para extirpar-se a causa. E assim o especialista “em Brasil” encerra o texto e faz uma alusão de desigualdade usando exemplo dos Estados Unidos, e vejo diante de minha face de leitora, mais uma cena de desigualdade, ate nos maus exemplos.

Embora o texto seja um pouco superficial, pode servir de ponto de partida para aprofundarmos mais na análise desse problema, que muito bem posto por Ladeira: “não está a cargo apenas dos intelectuais”, afinal, diz respeito a todos nós.


Resenha do texto:

LADEIRA, Roberto. Considerações sobre as faces da desigualdade entre os seres humanos. Disponível em < http://zinnecult.zip.net/>

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