quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A concepção de lógica de Wittgenstein no Tractatus


Segundo Wittgenstein, tanto lógica como a linguagem possuem características universais. A linguagem como tal possui também uma estrutura para assim ser designada. A universalidade prescinde de sua inefabilidade, isto é, ter presente em todos os seus momentos a sua inefabilidade semântica. Esta inefabilidade é fundamentada na crença da linguagem como algo não só preciso, como também de outros inúmeros contextos. Aí é que surge um dos pontos mais complexos da teoria da linguagem em Wittgenstein. Estas relações da linguagem como universal não são exprimíveis.
Wittgenstein também apresenta, a priori, a forma lógica como o fator de correspondência entre o mundo e a figuração, ficando clara esta apresentação na proposição 2.18: "o que cada imagem, de forma qualquer, deve sempre ter em comum com a realidade para afigurá-la em geral – correta ou falsamente – é a forma lógica, isto é, a forma da realidade"(Wittgenstein, 1968, p.37).
Segundo Russel, uma das teses fundamentais do Tractatus é aquela que versa acerca da estrutura comum existente entre a linguagem e o mundo, a forma lógica. Para realizar uma análise do conceito de mundo presente no Tractatus, devemos levar em consideração o papel central que a linguagem desempenha em sua ontologia: não se trata, no Tractatus, de construir uma linguagem (como a das ciências exatas) para descrever o mundo: antes, trata-se de analisar a linguagem e, com isso, descrever as categorias que formam o mundo.
A filosofia do Tractatus acaba por exaltar a importância que o enunciado assume diante de suas partes no pensamento do I Wittgenstein. O mundo pode ser entendido como o conjunto dos estados de coisas passíveis de serem representados por proposições verdadeiras. Deste modo, o objeto passa a ter importância apenas na medida em que faz parte de um contexto de modo que, do ponto de vista filosófico, o objeto não tem tanto interesse quanto o fato.
Até pelo uso da metáfora,Wittgenstein mostra que, não podendo conhecer a Verdade de forma direta, eis que nos resta a contemplação do simbólico, interpretação inteligível do que é incompreensível ao humano.
No Tractatus, Wittgenstein diz  que “o fim da filosofia é o esclarecimento lógico dos pensamentos” (T 4.1112). e que em vez de “proposições filosóficas”, o resultado da filosofia consiste em tornar claras as proposições. o autor de Tractatus reservava para a filosofia um papel auxiliar de esclarecimento lógico da linguagem concernente a esses domínios específicos do conhecimento humano.
Assim como a filosofia não é uma teoria, a lógica também não é uma “teoria”, mas uma “imagem especular” do mundo: a lógica é transcendental (T 6.13). O ponto de vista transcendental deve ser tal que, por meio dele, seja possível entender que o mundo é dado na linguagem. E que a lógica espelhe o mundo significa que espelho e espelhado devem ter a mesma forma lógica.

Joíra Freitas

REFERENCIAS


revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/intuitio/article/viewPDFInterstitial/3670/3296
Guia de Estudos – Universidade Metodista de São Paulo

BRANQUINHO et al (editores). Enciclopédia de Termos Lógicofilosóficos. São Paulo: Martins Fontes, 2006

HINTIKKA, Jaako & Merril. Investigação sobre Wittgenstein. São Paulo: Papirus, 1994.