Segundo Wittgenstein, tanto lógica
como a linguagem possuem características universais. A linguagem como tal
possui também uma estrutura para assim ser designada. A universalidade
prescinde de sua inefabilidade, isto é, ter presente em todos os seus momentos
a sua inefabilidade semântica. Esta inefabilidade é fundamentada na crença da
linguagem como algo não só preciso, como também de outros inúmeros contextos.
Aí é que surge um dos pontos mais complexos da teoria da linguagem em
Wittgenstein. Estas relações da linguagem como universal não são exprimíveis.
Wittgenstein também apresenta, a
priori, a forma lógica como o fator de correspondência entre o mundo e a
figuração, ficando clara esta apresentação na proposição 2.18: "o que cada
imagem, de forma qualquer, deve sempre ter em comum com a realidade para
afigurá-la em geral – correta ou falsamente – é a forma lógica, isto é, a forma
da realidade"(Wittgenstein, 1968, p.37).
Segundo Russel, uma das
teses fundamentais do Tractatus é aquela que versa acerca da estrutura comum
existente entre a linguagem e o mundo, a forma lógica. Para realizar uma
análise do conceito de mundo presente no Tractatus, devemos levar em
consideração o papel central que a linguagem desempenha em sua ontologia: não
se trata, no Tractatus, de construir uma linguagem (como a das ciências exatas)
para descrever o mundo: antes, trata-se de analisar a linguagem e, com isso,
descrever as categorias que formam o mundo.
A filosofia do
Tractatus acaba por exaltar a importância que o enunciado assume diante de suas
partes no pensamento do I Wittgenstein. O mundo pode ser entendido como o
conjunto dos estados de coisas passíveis de serem representados por proposições
verdadeiras. Deste modo, o objeto passa a ter importância apenas na medida em
que faz parte de um contexto de modo que, do ponto de vista filosófico, o
objeto não tem tanto interesse quanto o fato.
Até pelo uso
da metáfora,Wittgenstein mostra que, não podendo conhecer a Verdade de forma
direta, eis que nos resta a contemplação do simbólico, interpretação
inteligível do que é incompreensível ao humano.
No Tractatus, Wittgenstein diz
que “o fim da filosofia é o esclarecimento lógico dos pensamentos” (T
4.1112). e que em vez de “proposições filosóficas”, o resultado da filosofia
consiste em tornar claras as proposições. o autor de Tractatus
reservava
para a filosofia um papel auxiliar de esclarecimento lógico da linguagem concernente
a esses domínios específicos do conhecimento humano.
Assim como a
filosofia não é uma teoria, a lógica também não é uma “teoria”, mas uma “imagem
especular” do mundo: a lógica é transcendental (T 6.13). O ponto de vista
transcendental deve ser tal que, por meio dele, seja possível entender que o
mundo é dado
na
linguagem. E que a lógica espelhe o mundo significa que espelho e espelhado
devem ter a mesma forma lógica.
Joíra Freitas
REFERENCIAS
revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/intuitio/article/viewPDFInterstitial/3670/3296
Guia de Estudos – Universidade Metodista de São Paulo
BRANQUINHO et
al (editores). Enciclopédia de Termos
Lógicofilosóficos. São Paulo: Martins Fontes, 2006
HINTIKKA,
Jaako & Merril. Investigação sobre Wittgenstein.
São Paulo: Papirus, 1994.
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