A
EXCELÊNCIA DO SUBLIME COMO EXPERIÊNCIA ESTÉTICA
Joíra Freitas Bruno*
RESUMO: O presente trabalho tem como objetivo precípuo,
demonstrar de maneira breve como o sublime vem sendo analisado através de alguns
estudiosos sobre o tema, e o fato do mesmo na tradição antiga ser tratado como
um genêro litarário. A partir de considerações do Do Sublime de pseudo- Longino,
tentar-se-á esclarecer essa excelência de experiência estética que visa à elevação
e extase provocada pelo sublime. O maravilhoso supera o que visa a persuasão?
Existe uma técnica do sublime? Até que
ponto é possível estimular nossos dons naturais? Uma
alma pode ser educada em direção ao sublime ou é algo próprio da natureza?
Deve-se na estética procurar imitar aos grandes? Seria isso roubo ou decalque? Perguntas estas que nos levam a refletir sobre
o assunto e nos direciona como base para o entendimento do conceito, empregado
na sua forma estética. Procura-se aqui acompanhar algumas técnicas que permitem
a sublimação da intensidade do pensamento.
Palavras-chave: sublime, técnica, estética.
A EXCELÊNCIA DO SUBLIME COMO EXPERIÊNCIA ESTÉTICA
O termo sublime tem sua origem na antiguidade. Segundo G. Sausoni (ed.), na
Encicopledia Filosófica, Florença 1967, pp. 252 : “Etmologicamente vem do latim
sublimis, composto de sub-limen: o que está suspenso no arquitrave da porta
(lat limes), o lintel entre duas colunas (O.E.D). É pois um termo que, nas suas
origens, se encontra diretamente ligado a arquitetura, tendo o sentido imediato
de elevado, de algo que está acima da cabeça do homem”.
Partindo da sua etmologia e seu
conceito filosofico tem então o sublime, como algo que eleva, alça, ascende, enaltece,
nobilita, promove, edifica e so partindo
desses pressupostos, podemos então compreender melhor como o homem da
antiguidade entendia e vivia essa experiência estética que por vezes se
confundia com o proprio estilo literário, ao mesmo tempo com o proprio
sentimento da catarse.
Martha Almeida, em
seu artigo Por uma metafísica do sublime cita sobre a primeira abordagem do
tema:
O tema do sublime é abordado desde a
antiguidade, tendo seu marco inicial na obra Do sublime do pseudo Longino,
comprovando que desde a antiguidade já se falava deste sentimento, que nos antigos,
era definido como uma forma lingüística, literária ou artística que expressava sentimentos
ou atitudes elevadas e nobres.
Este tratado visava demonstrar uma
forma de atingir o sublime através da arte da poesia, da retórica e da
oratória; nele o sublime é compreendido como a expressão da intensidade do
pensamento e das paixões, como a perfeição das belas composições e a clareza
máxima das imagens, mantendo com isso
uma postura antropocêntrica tão própria e característica da cultura helenística.
Dentre
importantes autores que abordaram o tema, temos Aristoteles com o sublime como
prazer da imitação, Hume e sua contribuição para a análise psicológica do
sublime, Edmund Burke e adiferença entre o Belo e o Sublime, Immanuel Kant e
aconcordância entre o Belo e o Sublime, Schopenhauer e a analítica do sublime,
Nietzche e o sublime enquanto “domesticação artística do horrível.”
Analisando
o pseudo Longino, professor de retórica ou crítico literário
que pode ter vivido entre o século III a.C. e o século I,
por ter o mesmo posto o tema como marco inicial encontrará a excelência do
sublime como experiência estética e ao mesmo tempo uma forma literária.
Para
Longino o êxtase no ouvinte é conduzido pelo sublime e não pelos apelos
persuasivos que tem como pressuposto agradar de forma apelativa, sendo apenas
através da sublimação do maravilhoso que vem a superação para a elevação do
pensamento, por ter este uma força irresistível que coloca-se acima do ouvinte
(elevado).
O
autor coloca entao em evidencia uma questão intrigante: existe uma técnica do
sublime, ou é inata a natureza e não poderia ser ensinada? Ao que o mesmo
responde em seu argumento:
Eu quero provar que é
ocontrário: se se considerar que a natureza, assim como muito freqüentemente,
nos momentos de patético e de elevação, se dá a si mesma uma regra, assim
também não tem costume de entregar-se ao acaso, nem de ser absolutamente sem método;
e que é ela que fornece oelemento primeiro e arquetípico para a gênese de toda
produção, masque, no que concerne às quantidades e ao tempo, para cada coisa, e
à prática e à utilização as mais seguras, é o método que é capaz de
circunscrever os limites e colaborar. A grandeza, abandonada a si mesma, sem
ciência, privada de apoio e de lastro, corre os piores perigos, entregan-do-se
ao único impulso e a uma ignorante audácia; pois, se freqüentemente precisa de
aguilhão, precisa também de freio.
Assim,
Longino então demonstra que a técnica é um fio condutor, um aio que leva a
exaltação do excelente que é o sublime, e que so aprendemos pela técnica, e deveríamos
imitar aos grandes, que a caça pela novidade insere defeitos no discurso, por
isso a imitação não poderia ser um roubo, mas um decalque.
Portanto, a alma pode ser educada em
direção ao grande, o homem deve buscar a excelencia estética, para ele:
“o verdadeiro orador não deve ter pensamento
baixo e ignóbil. Pois não é possível que pessoas que destinam seus pensamentos
e seus cuidados a preocupações vis e própria de escravos, ao longo da vida,
produzam alguma coisa espantosa e digna de qualquer época”.
Para
o autor em questão, o verdadeiro sublime a elevação a alma ao cume, como se a
propria pessoa que a contempla estivesse a dizer aquelas palavras. O sublime
tem a factual predisposição em suportar um reexame, deixando uma lembrança
arrebatadora e permanente e por ser sublime agrada a todos mesmo com toda
diversidade encontrada no público a que se destina.
Longino
cita cinco fontes que produz a riqueza de estilos, que são:
·
Faculdade de lançar-se aos
pensamentos elevados;
·
A paixão violenta e criadora
de entusiasmo;
·
Qualidade da fabricação da
figura;
·
Expressão de nobreza;
·
Composição digna e elevada;
Sendo que estas duas primeiras são de âmbitos
naturais e as demais adquiridas por técnicas que aprimoram o discurso. O método
ou o caminho para se chegar ao sublime vem de fora, da ciência, e através da
natureza vem a materia, o conteúdo do que vai ser produzido.
Podemos
concluir, finalizando, que o sublime é por si a propria excelencia que
enobrece, exalta, arrebata, eleva no ápice da experiencia estética, que conduz
a catarse, ou como diria o proprio Longino: “O
sublime é o eco da grandeza na alma”.
REFERENCIAS
FIALHO, Maria do Céu.Horácio: Ética e Ars Poetica.
ALMEIDA,
Martha de. Por uma metafísica do sublime.
Quinto HORÁCIO Flaco (65-8a.C.). Arte poética [Fundação Calouste Gulbenkian, pdf 2012
