sábado, 14 de dezembro de 2013

A EXCELÊNCIA DO SUBLIME COMO EXPERIÊNCIA ESTÉTICA

A EXCELÊNCIA DO SUBLIME COMO EXPERIÊNCIA ESTÉTICA
              
                                                                            Joíra Freitas Bruno*


RESUMO: O presente trabalho tem como objetivo precípuo, demonstrar de maneira breve como o sublime vem sendo analisado através de alguns estudiosos sobre o tema, e o fato do mesmo na tradição antiga ser tratado como um genêro litarário. A partir de considerações do Do Sublime de pseudo- Longino, tentar-se-á esclarecer essa excelência de experiência estética que visa à elevação e extase provocada pelo sublime. O maravilhoso supera o que visa a persuasão? Existe uma técnica do sublime? Até que ponto é possível estimular nossos dons naturais? Uma alma pode ser educada em direção ao sublime ou é algo próprio da natureza? Deve-se na estética procurar imitar aos grandes? Seria isso roubo ou decalque? Perguntas estas que nos levam a refletir sobre o assunto e nos direciona como base para o entendimento do conceito, empregado na sua forma estética. Procura-se aqui acompanhar algumas técnicas que permitem a sublimação da intensidade do pensamento.

Palavras-chave: sublime, técnica, estética.

A EXCELÊNCIA DO SUBLIME COMO EXPERIÊNCIA ESTÉTICA


            O termo sublime tem sua origem na antiguidade. Segundo G. Sausoni (ed.), na Encicopledia Filosófica, Florença 1967, pp. 252 : “Etmologicamente vem do latim sublimis, composto de sub-limen: o que está suspenso no arquitrave da porta (lat limes), o lintel entre duas colunas (O.E.D). É pois um termo que, nas suas origens, se encontra diretamente ligado a arquitetura, tendo o sentido imediato de elevado, de algo que está acima da cabeça do homem”.
            Partindo da sua etmologia e seu conceito filosofico tem então o sublime, como algo que eleva, alça, ascende, enaltece, nobilita, promove, edifica e so partindo desses pressupostos, podemos então compreender melhor como o homem da antiguidade entendia e vivia essa experiência estética que por vezes se confundia com o proprio estilo literário, ao mesmo tempo com o proprio sentimento da catarse.
Martha Almeida, em seu artigo Por uma metafísica do sublime cita sobre a primeira abordagem do tema:

 O tema do sublime é abordado desde a antiguidade, tendo seu marco inicial na obra Do sublime do pseudo Longino, comprovando que desde a antiguidade já se falava deste sentimento, que nos antigos, era definido como uma forma lingüística, literária ou artística que expressava sentimentos ou atitudes elevadas e nobres.
           Este tratado visava demonstrar uma forma de atingir o sublime através da arte da poesia, da retórica e da oratória; nele o sublime é compreendido como a expressão da intensidade do pensamento e das paixões, como a perfeição das belas composições e a clareza máxima das  imagens, mantendo com isso uma postura antropocêntrica tão própria e  característica da cultura helenística.

            Dentre importantes autores que abordaram o tema, temos Aristoteles com o sublime como prazer da imitação, Hume e sua contribuição para a análise psicológica do sublime, Edmund Burke e adiferença entre o Belo e o Sublime, Immanuel Kant e aconcordância entre o Belo e o Sublime, Schopenhauer e a analítica do sublime, Nietzche e o sublime enquanto “domesticação artística do horrível.”
            Analisando o pseudo Longino, professor de retórica ou crítico literário que pode ter vivido entre o século III a.C. e o século I, por ter o mesmo posto o tema como marco inicial encontrará a excelência do sublime como experiência estética e ao mesmo tempo uma forma literária.
            Para Longino o êxtase no ouvinte é conduzido pelo sublime e não pelos apelos persuasivos que tem como pressuposto agradar de forma apelativa, sendo apenas através da sublimação do maravilhoso que vem a superação para a elevação do pensamento, por ter este uma força irresistível que coloca-se acima do ouvinte (elevado).
            O autor coloca entao em evidencia uma questão intrigante: existe uma técnica do sublime, ou é inata a natureza e não poderia ser ensinada? Ao que o mesmo responde em seu argumento:

Eu quero provar que é ocontrário: se se considerar que a natureza, assim como muito freqüentemente, nos momentos de patético e de elevação, se dá a si mesma uma regra, assim também não tem costume de entregar-se ao acaso, nem de ser absolutamente sem método; e que é ela que fornece oelemento primeiro e arquetípico para a gênese de toda produção, masque, no que concerne às quantidades e ao tempo, para cada coisa, e à prática e à utilização as mais seguras, é o método que é capaz de circunscrever os limites e colaborar. A grandeza, abandonada a si mesma, sem ciência, privada de apoio e de lastro, corre os piores perigos, entregan-do-se ao único impulso e a uma ignorante audácia; pois, se freqüentemente precisa de aguilhão, precisa também de freio.

            Assim, Longino então demonstra que a técnica é um fio condutor, um aio que leva a exaltação do excelente que é o sublime, e que so aprendemos pela técnica, e deveríamos imitar aos grandes, que a caça pela novidade insere defeitos no discurso, por isso a imitação não poderia ser um roubo, mas um decalque.
            Portanto, a alma pode ser educada em direção ao grande, o homem deve buscar a excelencia estética, para ele:

 “o verdadeiro orador não deve ter pensamento baixo e ignóbil. Pois não é possível que pessoas que destinam seus pensamentos e seus cuidados a preocupações vis e própria de escravos, ao longo da vida, produzam alguma coisa espantosa e digna de qualquer época”.

            Para o autor em questão, o verdadeiro sublime a elevação a alma ao cume, como se a propria pessoa que a contempla estivesse a dizer aquelas palavras. O sublime tem a factual predisposição em suportar um reexame, deixando uma lembrança arrebatadora e permanente e por ser sublime agrada a todos mesmo com toda diversidade encontrada no público a que se destina.
            Longino cita cinco fontes que produz a riqueza de estilos, que são:

·         Faculdade de lançar-se aos pensamentos elevados;
·         A paixão violenta e criadora de entusiasmo;
·         Qualidade da fabricação da figura;
·         Expressão de nobreza;
·         Composição digna e elevada;

Sendo que estas duas primeiras são de âmbitos naturais e as demais adquiridas por técnicas que aprimoram o discurso. O método ou o caminho para se chegar ao sublime vem de fora, da ciência, e através da natureza vem a materia, o conteúdo do que vai ser produzido.   
Podemos concluir, finalizando, que o sublime é por si a propria excelencia que enobrece, exalta, arrebata, eleva no ápice da experiencia estética, que conduz a catarse, ou como diria o proprio Longino: “O sublime é o eco da grandeza na alma”.

REFERENCIAS



FIALHO, Maria do Céu.Horácio: Ética e Ars Poetica

ALMEIDA, Martha de. Por uma metafísica do sublime. 

Quinto HORÁCIO Flaco (65-8a.C.). Arte poética [Fundação Calouste Gulbenkian, pdf 2012












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