sábado, 14 de dezembro de 2013

PAIXÕES DA TRAGÉDIA: PIEDADE E MEDO

PAIXÕES DA TRAGÉDIA: PIEDADE E MEDO
                                                                                                Joíra Freitas

            Para Aristoteles, o meio o qual se atinge ou alcança a Katharsis são a “compaixão” (eleos) e o “temor” (phebos). Segundo estudiosos, estas duas paixões já se encontravam postas na Literatura Grega como em Diels- Kranz de Górgias, Ion de Platao, entre outros.
            No capitulo 13 e 14, (1452b 30-1453a 22) de Poética, se estabelecem normas a fim de que a tragédia produza efeitos especificos, como temor e piedade, segue:

“Dado que a composição da tragédia mais perfeita não deve ser simples, mas complexa e que a mesma deve, imitar factos que causem temor e compiaxão (porauqnto essa é a característica desta espécie de imitações), é evidente, em primeiro lugar, que se não deve, representar os homens bons a passar da felicidade, pois tal mudança suscita repulsa, mas não temor nem compiaxão; nem os maus a passar de infelicidade para a felicidade, porque uma tal situação é de todas a mais contrária ao trágicop, visto não conter nenhum dos requisitos devidos e não provocar benevolência, compaixão ou temor”.

            No espetáculo trágico, o medo e a piedade são despertados, através da propria estruturação dos acontecimentos na tragédia, para Ana Maria Valente em nota sobre a Poetica “é necessário que o enredo seja estrururado de tal maneira que quem ouvir a sequencia dos acontecimentos, se arrepie de temor e sinta compaixão pelo que aconteceu”.
            O proprio Aristoteles no capitulo 14 traz a argumentação de que o bom poeta desperta o sentimento de piedade e medo pela composição dos fatos em si mesmo, procedimento este digno das grandes tragédias. Para entender melhor devemos no atentar para a propria definição aristotélica de piedade: "é uma dor diante de um mal visível destrutivo ou penoso que toca a alguém que não merecia e que se pode imaginar que se venha a sofrer (ou alguém dos seus), e isto quando o mal parece próximo". (Rhet. II 8 1385b13-16.). Assim também, o medo diz Aristóteles, nos torna deliberativos, ou seja procedemos racionalmente na ponderação das vantagens e desvantagens da ações, coloca assim, o estagirita, a emoção com um elemento cognitivo a ser desempenhado.
            Já que se é dado importancia desses dois elementos descritivos caracteristicos das paixões trágicas, qual seria mesmo a finalidade desta presença tão intrinseca na tragédia despertada na alma dos que a contemplam? Encontramos esta resposta nas próprias linhas da Poética (144 b27-28): “ a tragédia por meio da piedade e do medo leva a cabo a purificação de tais emoções”. Devidos a tantas discordâncias exegeticas na interpretação desta sentença aristotélica, se torna de dificil elucidação, portanto se faz necessário buscar em outras obras do autor uma melhor compreensão e descobre-se então através deste processo, que para o autor “medo” e “piedade” são paixões ou seja, numa visão aristotelica, movimentos que atuam sobre a alma, são as emoçoes, que como citadas anteriormente para o autor possuem uma dimensão cognitiva.
            Na análise de Flashar, Fernando Rey Puente em A Katharsis em Plataão e Aristoteles, cita essas duas emoções aparecendo sempre acompanhadas das descrições fisiológicas por elas produzida:

“o medo sempre acompanhado do efeito do arrepio e do temor na medida em que é causado por um resfriamento execcisvo do organismo; a piedade, diferentemente, está associada as lágrimas e ao choro devido ao fato de ser provocada por uma execessiva umidade no interior do organismo. Assim por exemplo, é que Aristoteles explica, em suas obras biologicas, o medo como sendo um estdo passional provocado por um resfriamento, devido a escassez de sangue  a ausencia de calor, a a piedade como sendo um estado passional gerado por um excesso de umidade”.

            Para uma melhor compreensão dessa purificação cartica vivida através da tragédia, faz-se mister compreender como as emoções eram vividas cotidianamente na época de Aristoteles, ficando assim evidenciado, no segundo livro, quando ele esclarece sobre as emoçoes sendo “causas devidas as quais os homens alteram seus juízos”. Entender esse contexo aristotelico faz toda diferença para compreensao dessa catarse na tragédia no sentido de purificação.
            Em suma, percebemos na composição da tragedia com suas ações e efeitos, uma catarse das emoçoes perturbadoras da alma, que através da piedade e temor alcança como fim útilmo uma expurgação, uma limpeza, uma purificação naqueles que a contemplam, purgando assim essas emoções nocivas que afligem a alma humana.
            A catarse atraves do despertar destes sentimentos faria o processo de transformar essas passionalidades em “disposições virtuosas”, trazendo assim uma melhoria moral, o que era algo contextualizado na propria fundamentação da exibição da tregedia na Pólis. Provocando assim a virtude do viver moderado, na “justa medida”.
          

REFERÊNCIAS

PUENTE, Fernando Rey. A Katharsis em Platão e Aristoteles. In: Duarte, Rodrigo { et all} (orgs.). Katharsis: refelxos de um conceito estético. Belo Horizonte: c/arte, p. 10-27.
ARISTÓTELES (384-322a.C.). Poetica [Bilingue] [Ars Poetica].pdf

JIMENEZ. Marc. A heteronomia esuas ambiguidades. In: ------------. O que é estética? São Leopoldo: UNISINOS, 1999, p. 191-229.






Nenhum comentário: