PAIXÕES DA TRAGÉDIA: PIEDADE E MEDO
Joíra Freitas
Para
Aristoteles, o meio o qual se atinge ou alcança a Katharsis são a “compaixão”
(eleos) e o “temor” (phebos). Segundo estudiosos, estas duas paixões já se encontravam
postas na Literatura Grega como em Diels- Kranz de Górgias, Ion de Platao,
entre outros.
No
capitulo 13 e 14, (1452b 30-1453a 22) de Poética, se estabelecem normas a fim
de que a tragédia produza efeitos especificos, como temor e piedade, segue:
“Dado
que a composição da tragédia mais perfeita não deve ser simples, mas complexa e
que a mesma deve, imitar factos que causem temor e compiaxão (porauqnto essa é
a característica desta espécie de imitações), é evidente, em primeiro lugar,
que se não deve, representar os homens bons a passar da felicidade, pois tal
mudança suscita repulsa, mas não temor nem compiaxão; nem os maus a passar de
infelicidade para a felicidade, porque uma tal situação é de todas a mais
contrária ao trágicop, visto não conter nenhum dos requisitos devidos e não
provocar benevolência, compaixão ou temor”.
No espetáculo
trágico, o medo e a piedade são despertados, através da propria estruturação
dos acontecimentos na tragédia, para Ana Maria Valente em nota sobre a Poetica
“é necessário que o enredo seja estrururado de tal maneira que quem ouvir a
sequencia dos acontecimentos, se arrepie de temor e sinta compaixão pelo que
aconteceu”.
O
proprio Aristoteles no capitulo 14 traz a argumentação de que o bom poeta
desperta o sentimento de piedade e medo pela composição dos fatos em si mesmo,
procedimento este digno das grandes tragédias. Para entender melhor devemos no
atentar para a propria definição aristotélica de piedade: "é uma dor
diante de um mal visível destrutivo ou penoso que toca a alguém que não merecia
e que se pode imaginar que se venha a sofrer (ou alguém dos seus), e isto
quando o mal parece próximo". (Rhet. II 8
1385b13-16.). Assim também, o medo diz Aristóteles, nos torna deliberativos, ou
seja procedemos racionalmente na ponderação das vantagens e desvantagens da
ações, coloca assim, o estagirita, a emoção com um elemento cognitivo a ser
desempenhado.
Já
que se é dado importancia desses dois elementos descritivos caracteristicos das
paixões trágicas, qual seria mesmo a finalidade desta presença tão intrinseca
na tragédia despertada na alma dos que a contemplam? Encontramos esta resposta
nas próprias linhas da Poética (144 b27-28): “ a tragédia por meio da piedade e
do medo leva a cabo a purificação de tais emoções”. Devidos a tantas
discordâncias exegeticas na interpretação desta sentença aristotélica, se torna
de dificil elucidação, portanto se faz necessário buscar em outras obras do
autor uma melhor compreensão e descobre-se então através deste processo, que
para o autor “medo” e “piedade” são paixões ou seja, numa visão aristotelica,
movimentos que atuam sobre a alma, são as emoçoes, que como citadas
anteriormente para o autor possuem uma dimensão cognitiva.
Na
análise de Flashar, Fernando Rey Puente em A Katharsis em Plataão e
Aristoteles, cita essas duas emoções aparecendo sempre acompanhadas das
descrições fisiológicas por elas produzida:
“o medo sempre acompanhado do efeito
do arrepio e do temor na medida em que é causado por um resfriamento execcisvo
do organismo; a piedade, diferentemente, está associada as lágrimas e ao choro
devido ao fato de ser provocada por uma execessiva umidade no interior do
organismo. Assim por exemplo, é que Aristoteles explica, em suas obras
biologicas, o medo como sendo um estdo passional provocado por um resfriamento,
devido a escassez de sangue a ausencia
de calor, a a piedade como sendo um estado passional gerado por um excesso de
umidade”.
Para uma melhor
compreensão dessa purificação cartica vivida através da tragédia, faz-se mister
compreender como as emoções eram vividas cotidianamente na época de
Aristoteles, ficando assim evidenciado, no segundo livro, quando ele esclarece
sobre as emoçoes sendo “causas devidas as quais os homens alteram seus juízos”.
Entender esse contexo aristotelico faz toda diferença para compreensao dessa
catarse na tragédia no sentido de purificação.
Em
suma, percebemos na composição da tragedia com suas ações e efeitos, uma
catarse das emoçoes perturbadoras da alma, que através da piedade e temor alcança
como fim útilmo uma expurgação, uma limpeza, uma purificação naqueles que a
contemplam, purgando assim essas emoções nocivas que afligem a alma humana.
A catarse atraves do despertar destes
sentimentos faria o processo de transformar essas passionalidades em
“disposições virtuosas”, trazendo assim uma melhoria moral, o que era algo
contextualizado na propria fundamentação da exibição da tregedia na Pólis.
Provocando assim a virtude do viver moderado, na “justa medida”.
REFERÊNCIAS
PUENTE, Fernando Rey. A Katharsis em Platão e
Aristoteles. In: Duarte, Rodrigo { et all} (orgs.). Katharsis: refelxos de um
conceito estético. Belo Horizonte: c/arte, p. 10-27.
ARISTÓTELES (384-322a.C.). Poetica [Bilingue] [Ars Poetica].pdf
JIMENEZ. Marc. A heteronomia esuas ambiguidades. In: ------------. O que
é estética? São Leopoldo: UNISINOS, 1999, p. 191-229.
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