
Sempre sonho, vejo, antevejo, as vezes tenho medo, outras tantas nao. So me lembro que Deus me fala por sonhos. Sonhos sao inertes, coloridos, lúgubres, profundos, bate na pestana da memória por todo o dia, por semanas ate, tem vozes, falas e fios de granbell.
Talvez sonhar seja o equilibrio da loucura, o fio que nos conecta a sanidade, o carretel que nos puxa de volta a vida e empurra-nos morro a baixo, ladeira a cima nas estradas íngremes desse viver abestalhado de todos os dias.
Sonhar é viajar tempos, correr mundos, entrar na calada da noite a dentro, sem pedir licença, arrebentando a porta da vida alheia e passeando pelas encostas de almas outras. Sonhar é adentrar o inconsciente buscando repostas, resolvendo problemas, equaçoes, comprovar fatos. Quando sonhamos paramos no tempo e somos o quisermos: voamos, rastejamos, temos caras, (como daquele moço da cara verde, que sonhei outra noite) , as vezes somos piores, medorsos, covardes, e quase sempre herois adormecidos de todo dia. Dormindo, salvamos mocinhas indefesas e socorremos mundos.
Na morte, dormindo, somos o po do infinito e alcançamos ceu, tambem engolimos terras recem saídas dos escombros. Pesadelos nada mais sao que a mae vida entediada nos chamando de volta para os braços do real, do hoje, do agora. Nao tenho medo dos pesadelos, tenho medo das noticias que ouço no jornal quando estou acordada, aí entao eu volto, fecho os olhos, adormeço pestanas e durmo calmamente no colo de Deus, Ele sempre me fala por sonhos.
Joíra F.
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