O tempo esse mágico mistério do mundo, espaço infinito entre o agora, o que foi ,e o que virá, monumento impalpável, que juro prender na parede do quarto num tic-tac constante, foge feito poeira no vento.
Na ampulheta de pai Cronos, esvoaçam-se os sonhos perdidos, achados talvez na próxima esquina do mundo. Esse vilão amigo tempo socorre os aflitos de esperança e mata, as ilusões dos desesperados. Esse tempo, tudo afaga e tudo apaga.
Dizem que o tempo cura tudo, não creio o Kairós como milagreiro de todos os males; ele ameniza dores, acalma tempestades, adormece amores, mas não cura o que foi, o que perdemos, o que passou, ele arquiinimigo íntimo apenas entorpece os sentidos, trazendo-nos outras dores, outras angustias, outros dissabores para distrairmos dos anteriores, por isso: "basta a cada dia o seu mal", já dizia o mestre dos mestres.
Esse dileto bárbaro amigo tempo, é feito de esperança, de pó de arco-íris de Deus, de fetiche de lua e xícara de grãos de sonhos. Nele e por ele, acreditamos que somos imortais, que o inacessível de agora é o possível de amanha. Chegamos mesmo a acreditar, que podemos consertar o ontem, alinhavando hoje, fios de possibilidades de amanha. O tempo é cheio de brinquedos invisíveis!
Mas esse tempo do agora consome o relógio dos nossos dias, e secamos como a erva, passamos como o vento, e por mais que queiramos engoli-lo inteiro, não fazemos mais do que ingerir metades, comendo porções a cada dia.
O tempo é como fatias de um bolo de aniversário, se não soubermos cortá-las, não dará para todos os convidados e ao final, teremos perdido o melhor da festa.
Joíra F.

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