terça-feira, 21 de junho de 2011

ACOSTUMAMOS COM TUDO NESSA VIDA ...

Acostumei com meu rosto no espelho. Não me estranho mais. Já me sou tão íntima de mim mesma por mil vidas á fora... Todos os dias tenho, a mesma cara, o mesmo sorriso, o mesmo olhar, o mesmo arquear da sobrancelha, aliás, nem reparei se é a mesma cara ou o mesmo espelho. Acho que já me acostumei ate mesmo com o espelho.

A gente se acostuma com tudo nessa vida, é utilmente mais cômodo, mais apático, mais confortável, fazer e ser tudo, sempre o tempo todo do mesmo jeito, com o mesmo olhar gasto sobre todas as coisas, a mesma perspectiva, a mesma visão sempre e sempre.

O costume vem de uma cultura de um povo, de uma gente, de uma família, de um ser. A palavra cultura tem em seu radical a palavra “Cult”, de culto. Ou seja, toda cultura tem por detrás um culto, e todo culto exige um deus. Quando fazemos tudo de maneira igual por mero costume, estamos a cultuar-nos, sendo nós então o nosso próprio deus, talvez por isso, o mestre dos mestres tenha dito: “deuses é que sois”.

Não quero divinizações cotidianas. Quero-me “desendeuzar” incultauralmente. Quero me desacostumar comigo, com as pessoas, com as leis, com o país, com a religião... Simplesmente estranhar todas as coisas.

O ser humano precisa estranhar as coisas, os lugares, as pessoas. È preciso espantar-se para perceber a mágica da vida, a encantadora beleza das coisas da simples, perceber a paulatina mudança de tudo, o tempo todo porque a vida é adoravelmente mutável. Tudo muda! Eu mudo todos os dias, mesmo contrariando o meu espelho de mil faces de mim.

Que tudo nos seja estranhamente absurdo diante de nossas faces neutras, para que compreendamos que é necessário desacostumar com a vida e não nos conformarmos com este século, para transformá-lo pela renovação do nosso entendimento.

Vamos desendeuzar-nos e andarmos em novidade de vida!


Joíra F.

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