
“Minha pátria é minha língua”, já dizia o poeta, amante da sua língua na língua de Luiz de Camoes. Hoje, beijamos tantas bocas, de tantos modos, que a nossa língua conhece de cór vários lábios, não mais tão luzidios. – È beijo técnico! – diz a classe defensora do estrangeirismo - È a veia do progresso que corre no mundo globalizado . Protestam do outro lado os xenofóbicos: - è a desfaçatez, desprezo a Fernando Pessoa e Camões.
Em um Brasilsao de muitos “Brasis” de tantas historias culturas diversificadas, é impossível, digo, conhecer ate mesmo os nossos tantos dialetos regionais, parece mesmo que as vezes estamos em outro país, precisamos mesmo é inventar um dicionário baianês, minierês, paulistês, gauchês, e quem sabe não poderia ter uma disciplina “dialetiquês” nos currículos escolares (Tomara que essa moda não pegue), e de vez em quando consultaríamos o Chico Buarque de Holanda.
Dentro deste Brasilsao de tantos Brasis, se faz necessário um estrangeirismo que se torne comum a todos, ligando-nos como um povo emergente e emergencialmente globalizado., que não despreza Camoes nem Pessoa na pessoa, mas um povo “linguisticado” que tem acessos ao mundo do Tio Sam. Tupiniquins do Novo mundo!
Sem moralismo patriótico dos xenófobos e nem americanismo barato dos estrangeiristas, mas como um povo sempre tão adaptável, maleável e feliz, que é capaz de sorrir na boca da miseria, beijando muitas bocas, enquanto fala: Oxente, eu te I Love You muchacho!
O Brasil tem sim, identidade lingüística. Somos um povo único de várias línguas: latim, português, africanês, indiginês e ate Caetanês ... Ou não! Tudo nos cabe, temos esse incrível dom de sermos plurais, essa é a nossa essência patriótica. No meio de tanta mistura, de tanta pluralidade, de tantos costumes, sabemos como nenhum outro povo, nos acharmos, nos encontramos na boca da palavra.
Temos, povo brasileiro, a criatividade peculiar de brincar tão bem com as palavras, de abusar delas, num beijo cinematográfico de corar Glauber Rocha. Roçamos nossa língua em muitas línguas, mas temos o prazer de manter a nossa saliva regionalista e tupiniquim.
Enfim, nossa maior identidade cultural é sermos transculturais. Que me perdoem os xenofóbicos e Caetano Veloso em sua canção, mas adoro beijo de língua a La brasilis!
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