terça-feira, 21 de junho de 2011

O HOMEM DIMINUI A MEDIDA QUE A CIDADE CRESCE

Essa metrópole agiganta-se a cada mês. Toma forma de grandes cidades, e tudo nela acontece, menos o homem.

Tudo agora se transforma, diante dos olhos baços dos transeuntes consumistas, que agora passam, numa sede quase asfáltica pela mais nova loja que aqui se instalara.

A cidade outra abarrotada de gente com caras e nomes, agora se mostra indiferente aos rostos deslumbrados dos seus passantes. Tudo é novo na cidade outrora velha.

Na praça, onde velhos jogavam dama, enquanto jogavam seu tempo de aposentadoria pela janela, agora as pessoas brincam de xadrez de gente. Passam damas e reis, mulheres com ares de rainha, peões se misturando nas torres de cimento, e as carroças com seus cavalos, agora juram os entendidos, que já têm freios ABS e tração nas quatro rodas.

Tudo aqui é diferente, diz os moradores com moradores ares boçais de capital. E todo mundo passa, todo mundo se esbarra e nem se notam. Somos agora dígitos, e números, e operadoras de celulares.

As pessoas por aqui, agora já não perguntam qual o seu nome, de que família você é, qual bairro reside, hoje, se pergunta: você é TIM, claro, oi ou vivo? Ainda bem que na feira do Paraguai já existem telefones com três chips!

A cidade cresce para cima, agiganta-se para os lados, transborda para frente, amplia-se para trás. A metrópole alarga suas fronteiras engolindo tudo... Ate gente!

Ninguém por aqui é mais parente de ninguém, e os outrora loucos da cidade, se misturam ao povo usando ternos e gravatas, enquanto nos distraímos com os malabaris circenses no transito, lá se indo as moedas da zona azul.

Não vemos mais por aqui o prefeito na praça, nem os vereadores na lanchonete da esquina, muito menos o pipoqueiro Zé com seu carrinho no cinema do shopping. Isso é retro e tudo por aqui agora é novo. Muito do que era essa cidade já fez as malas e foi-se embora... Até o frio!

Joíra F.

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